domingo, 5 de abril de 2009

No fim


Tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar:


um estribilho antigo

um carinho no momento preciso

o folhear de um livro de poemas

o cheiro que tinha um dia o próprio vento...


Mário Quintana

Tudo mudou


O rouge virou blush O pó-de-arroz virou pó-compacto O brilho virou gloss O rímel virou máscara incolor A Lycra virou stretch Anabela virou plataforma O corpete virou porta-seios Que virou sutiã Que virou lib Que virou silicone A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento A escova virou chapinha "Problemas de moça" viraram TPM Confete virou MM A crise de nervos virou estresse A chita virou viscose. A purpurina virou gliter A brilhantina virou mousse Os halteres viraram bomba A ergométrica virou spinning A tanga virou fio dental E o fio dental virou anti-séptico bucal Ninguém mais vê... Ping-Pong virou Babaloo O a-la-carte virou self-service A tristeza, depressão O espaguete virou Miojo pronto A paquera virou pegação A gafieira virou dança de salão O que era praça virou shopping A areia virou ringue A caneta virou teclado O long play virou CD A fita de vídeo é DVD O CD já é MP3 É um filho onde éramos seis O álbum de fotos agora é mostrado por email O namoro agora é virtual A cantada virou torpedo E do "não" não se tem medo O break virou street O samba, pagode O carnaval de rua virou Sapucaí O folclore brasileiro, halloween O piano agora é teclado, também O forró de sanfona ficou eletrônico Fortificante não é mais Biotônico Bicicleta virou Bis Polícia e ladrão virou counter strike Folhetins são novelas de TV Fauna e flora a desaparecer Lobato virou Paulo Coelho Caetano virou um chato Chico sumiu da FM e TV Baby se converteu RPM desapareceu Elis ressuscitou em Maria Rita? Gal virou fênix Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis, Todos anjos Agora só tocam lira... A AIDS virou gripe A bala antes encontrada agora é perdida A violência está coisa maldita! A maconha é calmante O professor é agora o facilitador As lições já não importam mais A guerra superou a paz E a sociedade ficou incapaz... ... De tudo. Inclusive de notar essas diferenças


Luis Fernando Veríssimo

Desprender-se


­­Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

- Fernando Pessoa -

Ventos...


"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a Amar... Por isso não devemos chorar pelo o que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado... Pois tudo aquilo que realmente é nosso, nunca se vai para sempre..."


Fernando Pessoa

Pedaços de mim


Eu sou feito de sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
sou feito de choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou amor e carinho constante
distraído até o bastante
não paro por instante

Já tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo

Mas continuo vivendo e aprendendo.


Martha Medeiros

sábado, 4 de abril de 2009

Sorria


Sorri quando a dor te torturar E a saudade atormentar Os teus dias tristonhos vazios Sorri quando tudo terminar Quando nada mais restar Do teu sonho encantador Sorri quando o sol perder a luz E sentires uma cruz Nos teus ombros cansados doridos Sorri vai mentindo a sua dor E ao notar que tu sorris Todo mundo irá supor Que és feliz.

Charlie Chaplin

Vários


Sou assim Dois de mim Às vezes três Quatro... cinco... seis Sou um por mês Me diversifico Tem horas que grito Vivo num conflito Mostro ao mundo minha dor Outras horas, só sei falar de amor O mais romântico Melodramático Estático Choroso e nervoso Carente e decadente Vingativo e inconseqüente Aí quando menos me percebo Me transformo em um homem cheio de medo Cheio de reservas Coberto de sutilezas Sério e sem defesa No minuto seguinte No papel de macho fatal Viro logo o tal Aí sou dono do mundoSeguro e destemido Altivo e atrevido Rasgo meus segredos ao meio E exponho num roteiro De poesia ou texto Agrido, inflamo Conto o que ninguém tem coragem de contar Explico detalhes que é bom nem lembrar Sou assim Vários de mim Sorriso por fora Angústia toda hora Por dentro um tormento No rosto nenhum sofrimento No corpo uma explosão de prazer Nos olhos, meu desejo deixo perceber Melhor nem me conhecer Fique com minhas letras Com as minhas palavras Na vida real sou bem mais complicado Sou mil E quem tentou, descobriu Que viver ao meu lado É viver dentro de um campo minado Prestes a explodir Mas quem esteve nele Nunca quis fugir